terça-feira, 20 de julho de 2010

Jogando minha dieta no lixo - Rocky Road


Cheguei à conclusão de que só vou testar receitas novas quando armar uma barraquinha na praça para distribuir as sobras. Um pratinho de doces na minha geladeira não está em sintonia com o tamanho das minhas calças mas imaginei que se você quiser engordar um inimigo, esta é a receita imbatível.

Vi esse docinho chamado Rocky Road no programa da Nigella e resolvi testar porque era muito fácil de fazer. Basicamente consiste em derreter chocolate amagro com manteiga e misturar com farelo de biscoito triturado. Ela usou uma bolacha branca e feia, eu usei Negresco para matar logo a pau. Aí, basta mexer tudo com uma colher, gelar umas três horas e cortar em barrinhas. É praticamente um crime. Talvez eu vá comer um restinho agora e fazer uns polichinelos...

Parma e suas maravilhas locais




Todas as regiões da Itália apresentam uma gastronomia rica. O sul traz influências do calor e do domínio árabe. O norte, uma culinária mais requintada característica do avanço econômico da região, o mediterrâneo tem seus produtos frescos de sabor limpo. É no centro, porém, que encontramos as verdadeiras jóias da coroa. Muito do que conhecemos da culinária italiana vem de uma região no centro do país, um pouco acima da Toscana, chamada Reggio Emilia. Sua principal cidade é Parma e não por acaso seu nome esta presente em produtos como o presunto de Parma e o queijo Parmegiano.Na verdade, esses dois produtos possuem uma ligação maior do que a de simplesmente pertencerem à mesma região. Um é indispensável na fabricação do outro. Se não houvesse queijo parmigiano, não haveria presunto de parma.

O presunto cru não é uma exclusividade italiana. Os espanhóis refinaram a arte usando seus porcos negros para criar o Jamon Serrano, o famoso Pata Negra. Na Itália, mais especificamente na Reggio Emilia, outra raça de porcos foi criada e seu cultivo deu origem ao presunto de Parma, tendo como estrela principal o presunto San Danielle (que difere do Jamon Serrano espanhol por ser menos curado e ter um gosto quase adocicado). Para a fabricação do presunto, utiliza-se uma cura salgada a fim de conservar a carne do porco que vai ser defumada, pendurada e amadurecida.

Acontece que em Parma, alguém teve a brilhante idéia de alimentar os porcos com o soro do leite do parmigiano regiano. As vacas que produzem esse queijo são criadas e reproduzidas sob um sistema rigoroso de qualidade. A vaca Milka suiça pode dar o melhor leite do mundo mas não tem vez em Parma. Logo, beber o soro daquele leite é privilégio de poucos e bons porquinhos.

No Brasil, conseguimos encontrar presunto San Danielle em algumas delis pela bagatela de R$ 40,00 por 100g. Recomendo. O preço é mais salgado que o presunto.

Mão na massa



Eu, assim como milhões de brasileiros, tenho descendentes de italianos na família. Por causa desse detalhe genealógico, passei muitos anos acreditando que tinha um dom natural para a culinária do país da bota. Qual não foi minha surpresa quando resolvi morar na Itália e descobri que, além de não conhecer mais da metade da culinária local (que aliás é tão vasta que acredito que nem mesmo os italianos a conheçam por completo), estava cometendo crimes contra a gastronomia com o pouco que eu conhecia.

A massa faz parte do dia a dia dos italianos e é um dos poucos pratos que é comido por todo o território nacional, embora os molhos e tipos de massa tendam a diferir de acordo com a região. Mesmo assim, não importa se estamos na Calábria, no Pieomonte ou em Veneza: existem três regras básicas e imutáveis para que um prato de massa seja genuinamente italiano.

O primeiro aspecto a se considerar é o ponto de cozimento. Existe a turma que cozinha a massa por tempo demais e se depara com fiapos deformes e sem consistência. Há outros que se vangloriam de fazer “pasta ao dente” e nos presenteiam com uma massa tão mal cozida que seu centro é duro e com gosto de farinha crua. Aprendi que para se servir a massa no ponto ideal deve-se diminuir 2 minutos do tempo indicado pelo fabricante na embalagem. Como a massa continua cozinhando em seu próprio calor, esses dois minutos farão com que ela chegue à mesa na consistência ideal. Lembre-se que massas feitas com farinha de semolina (spaghetti, penne, farfalle) levam mais tempo para cozinhar do que aquelas feitas à base de ovos (fetuccinne, papardelle).

O segundo detalhe crucial da massa é o molho. No Brasil e nos Estados Unidos tem-se a mania de afogar a massa em grandes piscinas de molho. Na verdade, a função da massa é servir de veículo para o molho e o ideal é que cada fio esteja coberto por uma camada. Entretanto, não é necessário que se forme uma poça no fundo do prato. O excesso de molho atrapalha toda a textura, que pode ficar pesada e romper o equilíbrio desejado. Para uma porção individual de massa (aproximadamente 80g), uma concha de sopa de molho é mais do que suficiente. No caso de molhos muito encorpados e de sabor forte como o pesto, pode-se usar tranquilamente menos quantidade.

Por último, mas não menos importante é o queijo. Em primeiro lugar, deve-se usar sempre parmesão de boa qualidade. Isso não significa que seja obrigatório comprar o queijo mais caro do supermercado. Hoje, existem marcas nacionais como o Gran Formaggio que se aproximam muito do Grana Paddano ou do Parmigiano Regiano original (fico devendo para a próxima vez um post sobre a fabricação desses queijos e o que os torna tão especiais). Assim como no caso do molho, não é preciso despejar uma torre de queijo em cima do prato. Duas ou três colheres de sopa são suficientes, o importante é que ele seja ralado na hora para que mantenha sua textura. A função do queijo na massa é dar uma crocância que apenas o parmesão de boa qualidade possui e agregar uma pungência de sabor. No sul da Itália, as famílias de baixa renda costumam colocar farinha de rosca em cima de suas massas para conseguir essa textura quando o queijo de verdade não cabe no orçamento. É um bom truque para se ter no repertório e apresenta um resultado bastante respeitável.

Três passos, três dicas. Prometo que seguindo-as a risca seu próximo prato de massa vai ser três vezes melhor.